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Estados Unidos não precisa do governo para ser o melhor nas Olimpíadas

Por: Paul Crookston

Os Estados Unidos estão tendo um bom desempenho nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, dominando esportes como a natação e a ginástica feminina, liderando na quantidade de medalhas e no total de ouros.

Esses resultados positivos vêm apesar de o governo americano não se envolver com esportes. Por outro lado, os resultados positivos podem ser consequência da ausência da mão do governo americano.

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos seleciona os atletas que representam o país nos Jogos Olímpicos. Em seu site oficial há a seguinte definição para o Comitê: “trata-se de uma organização sem fins lucrativos que não recebe apoio financeiro federal (exceto para a área desportiva paraolímpica militar)”.

Por outro lado, quase todas as outras nações, mundo afora, tem um órgão estatal dedicado à área desportiva. Em países como o Brasil, Canadá e Reino Unido, o governo tem uma pasta ministerial dedicada aos esportes. Em países como a China, o governo executa uma série de rígidos programas nacionais que têm como finalidade maximizar a capacidade competitiva do país.

A questão é: Sem financiamento governamental, como  os Estados Unidos tiveram melhor desempenho esportivo ao longo das últimas décadas? Afinal, os países em geral vêm aumentando sua competitividade e vários países têm recursos para oferecer o melhor treinamento a seus atletas. E ainda assim os Estados Unidos seguem despontando nas olimpíadas ano após ano desde que os países da União Soviética deixaram de competir como um time unificado. Estranhamente, os países com os mais robustos e centralizados sistemas esportivos não vêem grandes retornos em seus investimentos.

Este ano, pela segunda vez consecutiva, os Estados Unidos ganharam da China na ginástica artística feminina, apesar das advertências recentes de que o governo chinês havia intensificado os programas de treinamento e, supostamente, acabaria por dominar na ginástica feminina. Poderia ser que, apesar das advertências em contrário, o poder estatal seja menos eficiente em ter resultados esportivos do que o poder de comunidades locais? Na China, os atletas mais habilidosos são treinados desde bastante jovens, quando suas habilidades esportivas começam a aparecer. Mas isso levanta problemas, entre eles que a iniciativa é retirada dos próprios atletas, e o poder estatal é entendido como o mais capaz para decidir sobre os talentos e a alocação de recursos. E assim, apesar de supostamente selecionar as melhores ginastas, dando-lhes o melhor treino, China continua a perder espaço para um país que não dispõe de fundos públicos para as Olimpíadas, e que tem uma população menor.

Não é preciso ser um gênio para perceber que os resultados esportivos são melhores quando as pessoas tomam atitudes por escolha própria. O sonho da Simone Bile de ser uma ginasta campeã foi guiada por sua família e por seus técnicos e não por um poder estatal impessoal. Se ela tivesse nascido na China, seu sucesso dependeria inteiramente de que suas habilidades fossem reconhecidas por funcionários do governo.

Como sempre, poder concentrado na mão de umas poucas pessoas não é o melhor princípio para guiar os esportes de maneira justa e equânime. Liberdade para perseguir o seu próprio sonho é o que fez os Estados Unidos despontarem na área esportiva e esses resultados vieram sem a ajuda da visível mão governamental.

*Texto publicado originalmente no site National Review. Traduzido por Arthur Miranda.

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